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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pobre menino...


Ontem fomos surpreendidos com a morte prematura de Michael Jackson. Assisti durante horas todos os documentários a respeito de sua vida e de sua carreira. Não consegui dormir a noite inteira mesmo medicada a dor não me deixou.
Que pena que dá. Era um menino negro tão bonito, com uma voz invejável que não conseguiu se reconhecer perante uma raça, preferindo passar a vida tentando mudá-la.
As fotos da época do Jackson Five são lindas. Então quando aparece o painel de mudança de rosto, de nariz, de cor de pele, você percebe que a pessoa está perdendo sua personalidade.
É muito dificil não se reconhecer, não conseguir uma identidade física dentro de um corpo rejeitado praticamente. Deve ter sido uma jornada muito amarga para o Michael.
Eu tive um irmão negro, ele era adotado. As vezes ele pegava um espelho e se perguntava por que tinha nascido negro e não branco. Os negros são sempre objetos de racismo, as vezes escondido as vezes escancarado. De frases curtas a declarações abertas de racismo.
Eu não consigo entender as pessoas racistas. Não consigo entender como mais ou menos pigmento na pele possa mudar um ser humano. Passando a derme que é diferente todas as camadas interiores são exatamente iguais. Corre sangue da mesma cor em nossas veias.
Nunca consegui entender o racismo num país tão miscegenado, com tantas raças coabitando.
Somos um País de todas as cores, de todas as raças. Eu, no meu RG consta "parda".
Por parda eu poderia tentar entrar em concurso ou universidade requerendo a minha parte negra na coisa toda. Sei que consta na minha familia indíos nos primórdios e deve constar escravos também, que em Minhas Gerais eram muito comuns. Até hoje encontram-se ex-escravos vivendo em comunidades perdidas, totalmente afastados. Libertos sem qualquer infra-estrutura que os apoiasse.Tratados como objetos. Não consigo pensar em pessoas tratadas como objetos.
Fico pensando em como Michael se via, pq ele quis ficar branco, mesmo com todo o sucesso, com todo o reconhecimento, com toda a fama que tinha?
Ele viveu para isso. Deixou de viver uma vida linda, com muito mais fama e menos excentricidade.
Pobre menino que perdeu uma vida tentando ser aquilo que não poderia ser.
abraços
Clê