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terça-feira, 10 de março de 2009

Dia de prova!


Eu já havia comentado (eu acho), que não fiz a prova da OAB, por não conseguir ficar sentada.

Na primeira vez que fiz, abandonei a prova quando havia completado duas horas e meia. A dor era insuportável, marquei o que deu e vim embora.

Mas eu não sou de desistir tão fácil. Então me inscrevi de novo. Aguentei firme...e passei para a segunda fase. No dia 1o. de março, as 14:00 lá estava eu, firme e dolorida, claro.

Quando cheguei fui procurar a coordenação da CESPE, munida de minha declaração médica e eles me autorizaram a ficar em pé a cada uma hora de prova. A segunda fase da prova que é a realização da peça prático profissional, se o candidato souber se localizar pelo menos nos índices remissivos, é fácil, pois permite a consulta. Por causa de minha condição não levei muitos livros, somente os indispensáveis...rs

Então veio o sinal para o início. Abri a prova e comecei a dar risada, sozinha, claro, pra não acharem eu tinha pirado. A peça era muitooooo fácil: era uma inicial trabalhista com pedido de reversão de justa causa e dano moral. De dano moral já sou "expert", visto que já fui submetida diversas vezes a este tipo execrável de prática (é o caso que já comentei quando ficamos doentes: passamos de excelentes profissionais a relapsos, etc, etc.). As cinco questões seguintes também eram fáceis, todas as respostas estavam em súmulas ou orientações jurisprudenciais, exceto uma que era posição doutrinária, porém como já trabalhei muito com execuções trabalhistas era "baba"!!!
Passado a primeira hora fiz o primeiro intervalo, fui tomar um água, também já tinha avisado aos seguranças da existência da bomba o que poderia disparar o mecanismo de segurança.
Quando fiz a cirurgia, recebi um cartão idêntico àqueles usados por portadores de marca-passo.

Com essa estratégia consegui ficar sentada por mais de 5 horas (5 horas de realização de provas, tempo regulamentar, mais uma hora interminável que a gente tem que ficar aguardando na sala).

Saí de lá muito dolorida, mas de duas coisas tenho certeza: Primeiro - meu nome vai estar na lista do dia 24. Segundo - ficarei somente com a certidão de aprovação, eis que em razão do afastamento estarei impedida de advogar. Aliás, esse era um dos motivos também que fizeram com que eu adiasse a prova. De que adianta estar com a carteira na mão se não dá pra exercer?

Quando eu estava cursando a faculdade, principalmente nos dias mais difíceis em que eu chegava pálida, mais branca que cera pra estudar, esse era meu norte. Pra descontrair eu sempre brincava que fazia Direito por dois motivos: 1) ter direito a prisão especial e 2) constar no obituário - advogada...rs

Mas claro que meus objetivos são bem mais amplos. Quero exercer a profissão por três anos, que é o mínimo exigido para concursos e ir frente em busca do tão sonhado Ministério Público do Trabalho. Enquanto isso eu estudo, estudo muito, estudo sempre. Por quê não adianta ficar se lamuriando, reclamando das oportunidades perdidas - eu tenho certeza que um dia eu consigo reverter essa questão física.
Um grande abraço a todos que acompanham!
Clê